Tão quanto uma bruma branca, nada vejo em tua presença além de ti, como se a mim bastasse, e o mundo fosse sem tua face, menos mundo, sem motivo exato, uma vaga ânsia, suspiro passado... Uma tosse tísica ou um só toque engasgado.
Tão quando uma bruma branca, me envolves mansa. Tua voz não canta, mas sôa à melodia, sôa a meio-dia e canto de pássaros, singela euforia. E Sol a pico, nascendo e morrendo todo dia, só para ver raiar teu riso, e pelo céu, dele ser guia.
Tão quanto uma bruma branca, faz-me vagar sem rumo buscando teus braços, sempre calmo e tateando o ar, crendo que outrora toda névoa se abrirá, mostrando distante teu rosto tímido sorrindo quieto e quase intocável.
Tão quanto uma bruma branca, tu se espalhas de bom grado, clareando a prosa de meu cotidiano seco e transformando-o em garoa e poesia, fazendo do branco a decomposição das sete cores e no entanto sendo, mais que tudo, alva luz correndo por meus olhos.
Tão quanto uma bruma branca, não tens em teu ser só uma estação. És na calidez o meu inverno, no frio todo o meu verão. Da secura do outono és demora, suspiro cansado, espera. E desbota no cinza, a flor, na esperada manhã, primavera.
Tão quanto uma bruma branca, tens meu eterno encanto e fascínio, incessante, mas brando feito espuma. És sempre assim, tão quanto bruma branca... És sempre assim, tão quando minha, Bruna.
sábado, 29 de maio de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Toque
Não seja minha, não seja nunca nada que me pertença.
Seja distânte, mais que o horizonte. Seja São Paulo, tão longe daqui...
Seja das cores o branco, que quando na chuva se camufla em arco-íris,
E seja inegável e sem fim, mas nunca minha.
Pois só assim, meu bem, eu saberei o que é amar...
Confesso assim, ó bem, irei sofrer sem ter pesar.
Seja distânte, mais que o horizonte. Seja São Paulo, tão longe daqui...
Seja das cores o branco, que quando na chuva se camufla em arco-íris,
E seja inegável e sem fim, mas nunca minha.
Pois só assim, meu bem, eu saberei o que é amar...
Confesso assim, ó bem, irei sofrer sem ter pesar.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Migalhas
Diz quem não teve da vida as migalhas
E nem do chão provou o amargor
E qual com dor nunca pagou suas falhas
Fingindo ter prazer, doce sabor.
Me diz qual homem nunca teve um pranto,
Pelo no silêncio da mais quieta noite,
Depois calado, com seus desencantos
Feriu um violão com seus açoites.
Mostre-me quem se tornou menos tolo
Por não amar, por não ser estradeiro,
E hei de mostrar-lhe um que foi menos vivo.
Mostre-me um que se armou sem desconsolo,
Vangloriando-se maior guerreiro,
E mostrarei então um guerreiro altivo.
E nem do chão provou o amargor
E qual com dor nunca pagou suas falhas
Fingindo ter prazer, doce sabor.
Me diz qual homem nunca teve um pranto,
Pelo no silêncio da mais quieta noite,
Depois calado, com seus desencantos
Feriu um violão com seus açoites.
Mostre-me quem se tornou menos tolo
Por não amar, por não ser estradeiro,
E hei de mostrar-lhe um que foi menos vivo.
Mostre-me um que se armou sem desconsolo,
Vangloriando-se maior guerreiro,
E mostrarei então um guerreiro altivo.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Sonho conjugado
Sonhei ao meu redor desabarem as vidas,
Tal por tal, uma a uma... Todas as vidas.
E ainda que todas se fizessem vivas,
Lá não estava a qual, por qual eu vivo.
Sonhei você num sonho mais que triste,
Onde seus olhos alvos se afogavam,
Em poço que por eles foi cavado,
Na sepultura de um amor guardado.
Sonhei o desespero da procura,
Cavei a terra, sujei minhas unhas...
Desenterrei à carne e couro o cheiro
Do que não tem por mim menor anseio.
Sonhei num sonho sonhar sua sina
E ser dos sonhos só o seu, menina.
Sonhei ser sonho, e viver sonhado.
Sonhei, foi sonho... Sonho no passado.
01/12/09
Tal por tal, uma a uma... Todas as vidas.
E ainda que todas se fizessem vivas,
Lá não estava a qual, por qual eu vivo.
Sonhei você num sonho mais que triste,
Onde seus olhos alvos se afogavam,
Em poço que por eles foi cavado,
Na sepultura de um amor guardado.
Sonhei o desespero da procura,
Cavei a terra, sujei minhas unhas...
Desenterrei à carne e couro o cheiro
Do que não tem por mim menor anseio.
Sonhei num sonho sonhar sua sina
E ser dos sonhos só o seu, menina.
Sonhei ser sonho, e viver sonhado.
Sonhei, foi sonho... Sonho no passado.
01/12/09
domingo, 12 de julho de 2009
Lírios
E os olhos?
I'nda busco
Vou sem pressa
Sem porque.
Não reluzem
Nem com mágoas
Pranto só
Faz-me crer;
Não tem vida
Que apague
Ou fortuna
Que afague
Meu amor
Olhos lírios.
Bravo amor,
Ruge um nome...
I'nda busco
Vou sem pressa
Sem porque.
Não reluzem
Nem com mágoas
Pranto só
Faz-me crer;
Não tem vida
Que apague
Ou fortuna
Que afague
Meu amor
Olhos lírios.
Bravo amor,
Ruge um nome...
André Yonezawa
03/06/09
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